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Service Blueprint em Hotelaria de Luxo: A Experiência do Hóspede Começa no Papel; a Bordo ou em Terra Firme

  • Foto do escritor: gleisoncampreghe4
    gleisoncampreghe4
  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

Em um cruzeiro fluvial de luxo navegando pela Amazônia, o hóspede não vê o backstage. Mas sente quando ele falha.

Cada entrega, da recepção ao turn down, do café da manhã à reposição de amenities, exige uma operação de bastidor que não pode se basear em improviso. Em um ambiente onde espaço, tempo e margem de erro são limitados, a única forma de entregar excelência com consistência é desenhar a experiência antes de executá-la.

E isso vale também para hotéis, resorts e empreendimentos em terra firme. Porque se a complexidade embarcada exige estrutura, a estabilidade do solo exige coerência. 


O que funciona a bordo funciona em terra, se houver método.



Service Blueprint: quando a experiência deixa de ser discurso e vira engenharia.


Service #Blueprint é uma ferramenta visual de gestão que permite mapear, com clareza, como a jornada do hóspede se conecta à operação real.

Em alto nível, ele mostra:


  • O que acontece na linha de frente (visível ao hóspede)

  • O que ocorre nos bastidores (ações, interações, suporte técnico)

  • As evidências físicas da entrega (ex: chave personalizada, drink, temperatura do quarto)

  • Os pontos de falha em potencial (delays, rupturas, retrabalhos)

  • E a sequência cronológica dos eventos, do primeiro toque até a última percepção


Trata-se de uma ferramenta simples, mas estratégica, que transforma o discurso da “experiência encantadora” em processo #auditável, treinável e replicável.



“Mas na hotelaria a bordo é diferente". Discordo.


Essa é uma frase que escuto com frequência de gestores em terra firme, tentando justificar a ausência de processos estruturados. E ela carrega um erro perigoso.

Sim, a bordo temos limitações logísticas, alta rotatividade e maior pressão de execução. Mas em um hotel urbano ou resort com 300 quartos, múltiplos pontos de contato e hóspedes cada vez mais exigentes, o cenário não é menos complexo, ele apenas é tratado com mais tolerância ao improviso.


O que falta, muitas vezes, não é inovação, é disciplina operacional.



Um caso real: quando tudo depende do improviso.



Quando a operação depende do improviso, o blueprint revela onde o serviço quebra antes de chegar ao hóspede.

Em uma operação que atendi recentemente, em um cruzeiro premium, o cenário era este:


  • A #recepção improvisava o atendimento porque o escritório nos EUA não repassava com clareza os horários e preferências dos hóspedes

  • A #governança aguardava o “aviso informal” para liberar as suítes, muitas vezes sem saber que tipo de cliente viria ou quais suítes deveriam ser priorizadas

  • O #F&B só descobria restrições alimentares no momento do atendimento, quando já era tarde para agir


O serviço funcionava, mas apenas porque a equipe “segurava no braço”. Era esforço humano tentando compensar a ausência de sistema.


Esse tipo de cenário não é exclusivo da hotelaria embarcada. Ele também é comum em operações em terra firme: quantos hotéis ainda dependem de mensagens no WhatsApp, planilhas paralelas ou daquele “fulano que sempre resolve”?


Foi nesse contexto que desenhamos o Service Blueprint completo da jornada de embarque: da confirmação nos EUA à entrada do hóspede na suíte. Mapeamos etapas visíveis, bastidores, evidências, falhas recorrentes e tempos médios.


Em duas semanas, o caos virou sistema.



“Se não é possível descrever, não é possível entregar.”


Essa frase não é minha, é de Lynn Shostack, criadora do Service Blueprint, em seu artigo de 1984 na Harvard Business Review:

“Se um serviço não pode ser descrito com precisão, ele não pode ser entregue com consistência.” - Lynn Shostack, HBR

Essa lógica orienta tudo o que aplico nas operações em que atuo, especialmente no segmento de hospitalidade de luxo, onde não há espaço para falhas operacionais nem para retrabalho disfarçado de agilidade.


Mas vale dizer: o uso do Service Blueprint e das ferramentas associadas não é exclusivo do mercado de alto padrão. Ele é aplicável, e necessário, em qualquer operação hoteleira que deseje elevar seu nível de consistência, integração e excelência.

Porque o método serve para quem quer profissionalizar o comum e escalar o excelente. E isso vale tanto para um cruzeiro quanto para um hotel de médio porte em um centro urbano. - Gleison Campregher

Blueprint não é arte de workshop, é gestão aplicada


O blueprint não é uma arte bonita para mostrar em #workshop. Ele é:


  • Um documento técnico de #gestão interdepartamental

  • Um plano de ação prévio à falha

  • Um instrumento de #auditoria interna e revisão de #performance


Quando integrado a rotinas #Lean, ciclos #PDCA, #Kaizen, #TWI e sistemas de feedback contínuo, o blueprint se transforma na espinha dorsal da experiência entregue.



Conclusão: experiência se desenha não se improvisa


A bordo ou em terra, o luxo não nasce do talento individual, nasce do sistema.

O hóspede percebe o que o gestor desenha. E sente o que o gestor ignora.

Este é o terceiro artigo da minha série sobre excelência operacional e gestão da qualidade na hospitalidade de luxo, embarcada ou em solo.


Nos próximos textos, abordarei:

  • Cultura de #KPIs: o que realmente deve ser medido em #hospitalidade

  • Como desenhar operações de alta #performance com foco em #ROI

  • Aplicação de Lean Six Sigma para eliminar ruído na entrega de serviço


Se você lidera uma operação hoteleira e acredita que encantamento não é sorte, vamos conversar. Porque sem processo, a experiência é só promessa.



 
 
 

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