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Pareto Estratégico na Hotelaria

  • Foto do escritor: gleisoncampreghe4
    gleisoncampreghe4
  • 23 de abr.
  • 8 min de leitura

O papel do Pareto Estratégico na Hotelaria na decisão executiva


Quando a alta liderança pergunta onde agir primeiro, ela não está pedindo mais análise. Ela está pedindo clareza.


Na maior parte das operações hoteleiras, informação não falta. Relatórios são produzidos, indicadores são acompanhados e reuniões acontecem com frequência. Ainda assim, a empresa segue investindo energia em muitas frentes e colhendo pouco impacto onde realmente importa.


Pareto Estratégico na Hotelaria não é um problema técnico. É um problema de priorização estratégica.


A operação sabe o que está errado. A gestão intermediária consegue explicar as causas. Mesmo assim, os mesmos ruídos se repetem, os mesmos impactos retornam e a sensação de esforço sem transformação permanece. Para quem lidera o negócio, surge um incômodo difícil de verbalizar. Há movimento, mas não há avanço estrutural.


É exatamente nesse ponto que o Pareto deixa de ser uma ferramenta de qualidade e passa a ser um instrumento de decisão.


Ilustração com gráfico de crescimento em fundo azul escuro e a frase “O que normalmente acontece depois de um bom diagnóstico”, representando evolução estratégica e leitura de prioridades na gestão hoteleira.
O que normalmente acontece depois de um bom diagnóstico.

Após um diagnóstico bem conduzido, especialmente quando ferramentas como Ishikawa são aplicadas com seriedade, o que surge é um retrato amplo do sistema.


Causas aparecem em diferentes áreas, processos se conectam, decisões passadas revelam seus efeitos e os problemas deixam de parecer isolados.

Esse momento costuma ser interpretado como progresso. E de fato é. O erro começa logo em seguida.


Em vez de transformar esse entendimento em foco, muitas organizações tentam tratar tudo de forma equilibrada. Todas as causas recebem atenção, todas as áreas ganham ações e todos os problemas são considerados relevantes. O discurso é coerente, mas a execução se torna dispersa.


Do ponto de vista da liderança estratégica, isso gera um desalinhamento silencioso. A expectativa é por escolhas claras, impacto concentrado e resultados perceptíveis. O que chega à mesa são listas extensas de iniciativas, difíceis de acompanhar e ainda mais difíceis de sustentar ao longo do tempo.


Nada está conceitualmente errado. Mas falta algo essencial. Decisão.


Sem um critério claro de priorização, o diagnóstico vira apenas conhecimento acumulado. E conhecimento, por si só, não muda operação, não protege margem e não melhora a experiência do hóspede.


Ilustração com gráfico ascendente em fundo azul escuro e a frase “Onde Ishikawa termina e Pareto assume a decisão executiva”, representando a transição entre análise de causa e definição de prioridades estratégicas na hotelaria.
Onde Ishikawa termina e o Pareto assume a decisão executiva

Na hotelaria, Ishikawa e Pareto costumam ser utilizados em sequência, mas raramente são compreendidos como ferramentas com papéis distintos dentro da tomada de decisão estratégica.


O Ishikawa entra quando a liderança precisa entender o sistema. Ele amplia o olhar e obriga a organização a sair da leitura superficial do problema. Pessoas, processos, decisões, políticas e estrutura passam a ser analisados em conjunto. O problema deixa de parecer pontual e passa a ser sistêmico.


Sem esse passo, decisões são tomadas sobre sintomas. Com ele, a alta gestão entende como o problema se constrói ao longo do tempo e quais escolhas anteriores contribuíram para aquele cenário.


O erro acontece quando se espera que o Ishikawa entregue o próximo passo. Ele não entrega.


O Ishikawa responde à pergunta por que isso está acontecendo. O Pareto responde a uma pergunta mais desconfortável. Onde a liderança vai colocar energia, dinheiro e autoridade agora.


Enquanto o Ishikawa amplia o campo de visão, o Pareto o restringe. Enquanto um organiza entendimento, o outro impõe renúncia. Toda prioridade real exige abrir mão de algo.

“A maioria dos resultados em qualquer sistema é produzida por uma minoria de causas.” - Vilfredo Pareto

O Pareto não elimina causas. Ele expõe escolhas. E é por isso que ele incomoda.


Ilustração com símbolo de alerta em fundo azul escuro e a frase “Ponto de Atenção para a Liderança Executiva”, destacando riscos de priorização e a necessidade de leitura estratégica na gestão hoteleira.
Ponto de atenção para a liderança executiva

O Princípio de Pareto, conhecido como regra 80 20, é uma construção poderosa para analisar esforço e resultado em sistemas complexos. Ele ajuda a liderança a identificar onde uma pequena parcela de causas sustenta a maior parte do impacto.


O valor do Pareto não está no gráfico. Está na disciplina que ele impõe. Ele obriga a separar o que é vital do que apenas consome atenção.

“Pareto não serve para dizer o que é importante. Serve para obrigar a liderança a escolher.” - Gleison Campregher.

Ao mesmo tempo, ele não pode ser tratado como dogma. A proporção não é fixa, nem universal. Quando o Pareto é usado como fórmula automática, a liderança terceiriza o pensamento crítico e corre o risco de ignorar sinais estratégicos que ainda não ganharam volume, mas já carregam risco.


Pareto não substitui julgamento. Ele expõe a responsabilidade de julgar.


Ilustração com edifício e gráfico ascendente em fundo azul escuro e a frase “Quando usar Pareto na hotelaria”, representando a aplicação estratégica do método de Pareto na definição de prioridades executivas no setor hoteleiro.
Quando usar Pareto na hotelaria

O Pareto não deve ser usado quando tudo está fora de controle. Ele deve ser usado quando tudo parece importante demais.


Quando há muitas causas mapeadas e poucos recursos para agir. Quando os indicadores mostram evolução pontual, mas a percepção do hóspede não acompanha. Quando a operação está ocupada, mas o impacto é baixo. Quando a liderança sente esforço, mas não enxerga transformação estrutural.


Nesses momentos, o Pareto deixa de ser apoio técnico e passa a ser filtro de decisão.

Priorizar, nesse contexto, não é exercício analítico. É um ato de liderança.


Ilustração com gráfico ascendente em fundo azul escuro e a frase “Pareto em ação na hotelaria”, representando o uso prático do método de Pareto na priorização estratégica e na gestão de desempenho hoteleiro.
Pareto em ação na hotelaria

O tipo de decisão que separa esforço de impacto.


Imagine um hotel urbano upscale enfrentando três sintomas simultâneos, todos tratados internamente como prioritários: queda na satisfação na chegada, aumento de reclamações sobre quarto e ruído crescente em alimentos e bebidas. A resposta da organização segue o padrão conhecido. Frentes paralelas são abertas, planos são distribuídos por área e múltiplas iniciativas passam a rodar ao mesmo tempo.


O esforço aumenta. O impacto não.


Esse é o tipo de cenário em que o Ishikawa cumpre bem seu papel. Ele organiza o sistema, conecta causas, evidencia que o problema não está apenas em pessoas, mas em decisões, desenho de processos, capacidade instalada, padrões e governança. Ele explica por que aquilo está acontecendo.


O ponto crítico vem depois. Com o sistema mapeado, quase tudo parece plausível. E é nesse momento que a gestão costuma errar. Em vez de escolher, tenta equilibrar. Em vez de priorizar, distribui. Em vez de cortar, negocia.


É aqui que o Pareto muda a lógica da conversa no nível da liderança executiva.


A operação consolida dados de um período relevante, sem suavizar o problema. Reclamações formais, comentários pós estadia, tempos de chegada, retrabalho de governança, incidentes de manutenção e falhas de entrega em serviços críticos. Em vez de discutir percepções, a alta gestão pede que as causas sejam organizadas por impacto.


A leitura normalmente é desconfortável. Em serviços, poucas categorias concentram a maior parte das reclamações. Espera, limpeza e tempo de resposta surgem de forma recorrente. Em room service, atrasos dominam a insatisfação. Na chegada, minutos bastam para destruir a percepção de controle.


Essa leitura muda completamente a postura de quem decide.


Porque o Pareto força a pergunta que a gestão evita: se só fosse possível agir em duas ou três causas agora, quais realmente mudariam o jogo?


Ilustração com barras de desempenho e símbolo de verificação em fundo azul escuro, com a frase “Como estruturar um Pareto que realmente sirva à hotelaria”, representando a construção estratégica de prioridades para a gestão hoteleira.
Como estruturar um Pareto que realmente sirva à hotelaria

Na hotelaria, o problema quase nunca é a ausência do Pareto. O problema é a ilusão de que um gráfico, sozinho, cria prioridade.


Quando a organização monta um Pareto sem definir qual decisão ele precisa sustentar, o resultado é previsível. O gráfico organiza dados, mas não orienta escolhas. Ele vira um retrato elegante do caos.


A primeira responsabilidade não é da área técnica. É da liderança.


Antes de qualquer gráfico existir, o topo precisa responder uma pergunta clara. Qual decisão este Pareto vai sustentar neste ciclo. Onde investir primeiro. O que entra na agenda estratégica. O que será protegido como prioridade mesmo sob pressão.


Sem essa definição, o gráfico nasce enviesado. Ele passa a refletir o que é fácil medir, não o que é crítico governar.

“Um Pareto mal estruturado não erra o gráfico. Erra a decisão que a liderança evitou tomar.” - Gleison Campregher

É aqui que surge uma dúvida legítima. Como saber o que deve ser prioridade antes do Pareto existir? A resposta não está no dado. Está na leitura estratégica do momento do negócio.


Prioridade nasce daquilo que a liderança precisa proteger agora. Em alguns ciclos, é experiência e confiança do hóspede. Em outros, é margem, custo invisível ou risco reputacional. Há momentos em que a urgência está na absorção de picos operacionais. Em outros, na consistência da entrega ou na conta de decisões passadas.

É essa leitura que define o que será analisado.


Quando a liderança não faz essa escolha conscientemente, a organização faz por ela. E a organização sempre escolhe o que é mais fácil medir, mais rápido explicar e menos desconfortável enfrentar.


Por isso, decidir prioridade não é exercício técnico. É ato de governança. Estratificar não é refinar análise. É um ato de comando.

Tabela estratégica sobre Pareto na hotelaria com seis etapas executivas, incluindo definição do problema, base de evidências, construção de categorias, priorização por impacto, validação da priorização e conexão da análise à governança.

A mesma causa muda de relevância conforme o recorte. Um atraso no check-in pode parecer apenas frequente, mas se torna crítico quando estratificado por pico de chegada, tipo de hóspede ou impacto em avaliações. Uma falha de governança pode parecer pontual, mas quando estratificada por retrabalho e reincidência, revela custo invisível e desgaste de reputação.


Um Pareto maduro raramente é único. Ele é construído por ciclos de decisão. A liderança escolhe o eixo que importa agora. Jornada do hóspede. Impacto financeiro. Risco reputacional. Capacidade e fluxo. Essa escolha define foco e impõe renúncia.

Sem estratificação, o Pareto vira ranking. Ranking vira disputa interna. Disputa interna vira dispersão.


Com estratificação, o Pareto vira decisão sustentada.


Ilustração com gráfico ascendente em fundo azul escuro e a frase “Antes do Pareto, a decisão já aconteceu”, destacando o risco de usar a análise apenas para justificar escolhas já feitas na gestão hoteleira.
Antes do Pareto a decisão já aconteceu

Todo Pareto carrega uma decisão anterior, mesmo quando ninguém percebe.


Quando a liderança escolhe analisar reclamações, está dizendo que percepção importa mais do que custo naquele ciclo. Quando escolhe retrabalho, está dizendo que margem importa mais do que narrativa. Quando escolhe jornada do hóspede, está dizendo que consistência vale mais do que volume.


O erro não é escolher um eixo. O erro é não assumir que essa escolha foi feita. Paretos ruins não nascem de dados ruins. Nascem de decisões implícitas, nunca discutidas.

“Resolver tudo ao mesmo tempo é a forma mais elegante de não resolver nada.” - Gleison Campregher.

Governar o Pareto começa antes do gráfico existir.


Ilustração com símbolo de erro em fundo azul escuro e a frase “Onde a hotelaria costuma errar no uso do Pareto”, destacando falhas comuns na aplicação do método de Pareto na gestão hoteleira.
Onde a hotelaria costuma errar no uso do Pareto

E por que isso não é um problema técnico, mas de liderança. O erro mais comum não é escolher errado. É não escolher de verdade.


  1. Muitas lideranças priorizam o que é mais fácil resolver. Gera alívio rápido, pouco conflito e sensação imediata de progresso. O problema é que facilidade não é critério estratégico. Enquanto o periférico é tratado, o estrutural continua operando.


  2. Outro erro é confundir frequência com impacto. Nem tudo que acontece muito machuca o negócio. Algumas falhas são barulhentas, mas baratas. Outras são raras, mas devastadoras para margem, reputação e confiança.


  3. Também é comum delegar a priorização para quem não sustenta a decisão. Sem autoridade no topo, a escolha vira consenso frágil e se dissolve na operação.


  4. Há ainda o uso mais perigoso. Usar o Pareto para justificar decisões já tomadas. A ferramenta vira escudo, não critério.


  5. Por fim, tratar a regra 80 20 como matemática fixa é abdicar de liderança. Sistemas vivos não obedecem proporções estáticas.


Esses erros não acontecem por ignorância técnica. Acontecem quando conforto vence clareza.


Ilustração com gráfico ascendente, engrenagem e martelo de decisão em fundo azul escuro, com a frase “Pareto como instrumento de governança”, representando o uso do método de Pareto como apoio à priorização e à gestão executiva na hotelaria.
Pareto como instrumento de governança

Governança começa quando alguém decide como o gráfico será lido.


O Pareto só se torna instrumento de governança quando a liderança define o critério de estratificação, sustenta a prioridade escolhida e protege o foco contra a dispersão natural da operação. Sem estratificação clara, cada área lê o gráfico a partir do próprio interesse. Com estratificação definida no topo, o Pareto deixa de ser interpretável e passa a ser vinculante.

“Estratificar o Pareto é governar a leitura do negócio. Quem não define o recorte, aceita a decisão que o sistema impõe.” - Gleison Campregher.

Governar não é olhar o gráfico. É definir o recorte da realidade que orienta a decisão. Quem define a estratificação governa a escolha. Quem apenas observa o gráfico reage a ela.


Conclusão


Empresas hoteleiras não falham por falta de diagnóstico. Falham porque, no momento decisivo, evitam escolher.

“Quando tudo é tratado como prioridade, o problema não é falta de dados. É falta de coragem para decidir.” - Gleison Campregher.

Escolher exige renúncia. Exige sustentar foco sob pressão operacional, política interna e ansiedade por respostas rápidas. Muitas organizações sabem exatamente onde estão os problemas, mas preferem distribuir ações a assumir escolhas claras.


O Pareto estratégico não existe para resolver tudo. Ele existe para impedir que a liderança se esconda atrás do excesso de ação. Resolver tudo ao mesmo tempo cria movimento, não direção.


Na hotelaria que performa, qualidade não é volume de iniciativa. Não é sofisticação de ferramenta. Qualidade, no nível executivo, é precisão de decisão.


É saber onde agir primeiro. E ter coragem para sustentar essa escolha.


Banner institucional da GLE com profissionais em reunião, selo da marca e a frase “Gestão, liderança e excelência para todos os meios de hospedagens do Brasil e internacionais”, representando posicionamento estratégico em hospitalidade.

 
 
 

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